A expansão da mancha de ocupação urbana está ameaçando a produção de alimentos frescos na região metropolitana de Sidney, que atualmente supre 20% da demanda local. Uma pesquisa realizada colaborativamente pelo projeto Sidney’s Food Futures prevê que em 2031, se a cidade continuar crescendo de forma espalhada no ritmo atual, reduzirá em 60% sua produção agrícola.

O aumento no preço da terra está pressionando os produtores que trabalham nas bordas da área metropolitana da maior cidade australiana. A iniciativa busca preservar áreas de produção agrícola entre a área costeira e as Montanhas Azuis do crescimento de Sidney como ele está previsto no planejamento da administração local, concentrado nas regiões sudeste e nordeste.

A produção, que já vem caindo, é de 500 mil toneladas por ano, composta majoritariamente de laticínios e carne. A projeção estima que o cultivo de vegetais – que responde por 10% da demanda local – cairá para 1%. Até 2031, a previsão é que a cidade passe a ter 1,6 milhão de habitantes a mais, além dos seus 4,2 milhões de moradores.

Ainda que a cidade cresça dentro dos limites que já compõem a zona urbana, adensando em vez de expandir, a demanda cresceria até que a proporção de alimentos produzidos fosse suficiente para abastecer 14% do mercado local. A redução da produção agrícola não representa um risco de insegurança alimentar para a população de Sydney, que é abastecida por outras regiões, mas o projeto defende que proteger os produtores rurais diminui a sua dependência em relação a recursos naturais finitos – como combustível – para atender as necessidades básicas de seus habitantes.

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O projeto é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Legado e Ambiente do governo do estado de Nova Gales do Sul com apoio do Conselho de Wollondilly – região que passará a produzir 30 mil toneladas a menos de alimentos se a tendência de expansão urbana for mantida. A aproximação entre fronteira urbana e zona rural é vista como potencial causa de complicações no futuro, tanto no caso dos novos vizinhos se incomodarem com os produtores quanto se as áreas agrícolas ficarem isoladas por terras que foram compradas por investidores na expectativa de uma valorização que nunca chega.

A estratégia de desenvolvimento metropolitano da cidade, o Plano de Crescimento de Sydney, é voltada para suprir a crescente demanda por moradia com medidas como a recente liberação de lotes para a construção de 35 mil casas ao sul de Campbelltown. A proposta de crescimento adensado pode não garantir que a cidade continue a abastecer a mesma proporção da demanda da população por alimentos, mas representa uma alternativa para manter áreas verdes e conter o encolhimento da produção de alimentos local, para que não seja preciso aumentar as distâncias entre produtores e consumidores.